Texto 1: Celular
em sala de aula atrapalha concentração de alunos
Aparelho, que é mania entre crianças e
adolescentes, deve ter limites em sua utilização no ambiente escolar Sofia Dias
Fabre, de 13 anos, é uma das 159.613.507 pessoas que têm acesso ao serviço de
telefonia móvel no Brasil. A adolescente ganhou o primeiro aparelho da avó há
cerca de quatro anos, quando tinha 9 anos de idade. Desde então, ela leva o
objeto para onde quer que vá, inclusive para a escola. O local é considerado
inadequado para a utilização do aparelho. [...]
A pedagoga e docente do departamento de
Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Gilmara Lupion Moreno,
considera a tecnologia do celular positiva para a comunicação entre pais e
filhos, principalmente em alguma emergência. Entretanto, dentro da sala de
aula, o aparelho pode prejudicar o processo de aprendizado. “A escola não é um
espaço para isso. Vejo como um instrumento desnecessário da lista de
materiais”, apontou.
Gilmara reconheceu que não há como proibir
que crianças e adolescentes levem o aparelho para a escola, mas afirmou ser
necessário estipular limites para o uso no ambiente escolar. “Não adianta
proibir. O celular está no mercado e tem a sua função, mas é preciso ter
limites para não atrapalhar o desempenho do aluno”, afirmou. De acordo com ela,
o aparelho provoca ansiedade e expectativa nas crianças e adolescentes,
principalmente quando ficam esperando algum tipo de mensagem ou ligação de
amigos.
É preciso tomar cuidado, de acordo com
ela, para que o telefone não toque dentro da sala de aula. “Isso não deve
acontecer. Tocar dentro da aula é como tocar em um show ou uma apresentação
artística. Isso tira a atenção. Os aparelhos devem ser desligados.” Ela
considerou esse aspecto como uma “falta de educação”. “É uma falta de respeito
ao professor que está falando. Desvia a atenção do grupo e compromete o
rendimento do aluno, porque o professor pode se perder na aula. Ele pode estar
em algum momento crucial da explicação, mas ter de começar tudo de novo.”
Foi o que ocorreu com Sofia durante uma
aula no início deste ano. “Tocou alto uma vez na aula de Ciência, enquanto a
professora estava explicando. Ela não percebeu que era o meu. Eu desliguei
rapidinho. A gente perdeu o rumo da aula”, contou a adolescente, que passou a
levar o celular para a escola numa época em que o aparelho virou mania onde ela
estudava. “No começo eu não levava, mas todo mundo tinha. Meu pai também queria
falar comigo às vezes”, justificou Sofia.
Para ela, a própria escola deve
estabelecer os limites da utilização do equipamento no ambiente escolar. “O
celular pode até funcionar como instrumento de cola nas provas. Tanto que em
muitos concursos você é obrigado a desligar o aparelho e deixá-lo embaixo da
carteira.” Segundo a pedagoga, é preciso trabalhar esse tipo de valor.
“Infelizmente é uma arma tecnológica para ajudar a colar, mas é preciso
trabalhar esses valores de que aquele conhecimento não é da pessoa.”
No Colégio Universitário em Londrina, a
utilização do aparelho em sala de aula é proibida, pelo menos até a 7ª série do
ensino fundamental. A orientadora educacional da escola, Marta Inês Rossi
Freitas, reconheceu que essa é uma situação nova e que não existia até háalguns
anos. “Nós proibimos de usar dentro da sala de aula, mas não de levar no
colégio. Temos telefone público e um telefone à disposição deles na
coordenação, mas mesmo assim
as crianças não deixam de levar o
celular.”
Ela afirmou que quando o
telefone de algum aluno toca durante uma aula, ele é recolhido pelo professor.
“Na primeira vez nós entregamos para o aluno. A partir da segunda ocorrência,
devolvemos somente para os pais ou responsáveis”, disse. Marta disse que, em
casos quando o celular toca, a aula vira um “tumulto”. “Todos acabam prestando
atenção ao celular e deixam de focar na aula e no conteúdo.”
Disponível em:
http://www.jornaldelondrina.com.br/online/conteudo.phtml?id=908149 Acesso